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Jano, do latim Janus, um dos mais antigos dos deuses romanos, apresentava dois rostos opostos e simétricos. O rosto da esquerda de Jano, o menos iluminado, contemplava o passado, o que já foi, as recordações.   O rosto da direita, o mais iluminado, vislumbrava o futuro, o vir a ser da vida, a hipótese que poderá ser ou não confirmada.

Jano era um deus que ligava duas dimensões do tempo: o passado e o futuro. Era considerado o deus dos princípios e dos fins. O primeiro e o último minuto de cada hora; o amanhecer e o anoitecer de cada dia; o alvorecer e o crepúsculo de cada vida. Dele deriva o primeiro mês do início de cada ano. Jano…Janus…Januarius…Janeiro.

Comumente se escuta afirmar que a vida é uma travessia cujo início coincide com o dia do nascimento de cada um. Nessa dimensão do tempo, pode-se inferir que no rosto da esquerda de Jano os olhos encontram-se fechados, pois não existe ainda um passado para ser contemplado. Somente a promessa de um futuro, como a semente promete a árvore frondosa.

A partir das primeiras experiências individuais de vida, o rosto da esquerda de Jano já as contempla mesmo que delas ele não guarde recordação consciente. Mas elas existem e estão registradas na dimensão inconsciente de cada um. Com a estruturação da consciência, tais experiências se tornam alvo de Jano, para serem reclamadas e formarem uma história de vida.

Já existe luz no horizonte do tempo. O ano de 2017 iniciou. Para ele o rosto da direita de Jano dirigirá seu olhar. Que ele vislumbre uma nova época para a vida de cada um.

Jano, elo dos tempos que terminam e dos que se iniciam, por ser um deus tenha a sabedoria de apaziguar a subjetividade humana imperfeita, criando mecanismos de defesa diante das possíveis frustrações, dos traumas vividos, dos desejos que não foram realizados, das desilusões, das perdas necessárias e inevitáveis.

A história individual somada à história dos mais de sete bilhões de semelhantes, resultam na história da humanidade. Cada um com seu jeito próprio de caminhar pela vida, haverá de ser o autor do seu próprio destino, o comandante da sua nau por cujos mares navegam os desejos da alma.

Que Jano seja o protetor de todos no ano que inicia.

 

Ivo Carraro é professor e psicólogo