Ensina o menino no caminho em que deve andar, e, ainda quando velho, não se desviará dele.
(Provérbios, 22:6)

É comum perguntarem a uma criança: “O que você vai ser quando crescer?” Melhor seria, se a resposta da criança fosse: “Serei eu mesma e procurarei construir a minha felicidade.  Realizarei os meus desejos possíveis com ética e aplicarei os meus conhecimentos para o bem da humanidade”. No entanto, se espera que a criança responda: “serei médico, engenheiro, advogado, etc…

Como se poderá auxiliar então, a quem elaborou a pergunta à criança sobre a origem das profissões?

Para compreender melhor a gênese das profissões, torna-se necessário retroceder em pensamento para a pré-história humana: o homem das cavernas, nos primórdios da humanidade. Lá se encontrava o ancestral humano. Presumidamente só.

Ensina a antropologia – ciência que estuda o ser humano – tanto em seu desenvolvimento evolutivo quanto em sua expressão histórica e contemporânea –, que o homem evoluiu tendo que enfrentar e vencer desafios para garantir a sua sobrevivência e evolução na Terra.

Volte-se, então, no tempo: cem mil anos, neolítico, Homo Sapiens. Ele foi desafiado a encontrar abrigo, para não morrer de frio e mesmo de fome. Precisou desenvolver faculdades mentais superiores – inteligências de hoje – para construir ferramentas que possibilitassem a sua sobrevivência pela caça ou pela pesca.

A sobrevivência do Homo Sapiens dependia então da sua característica nômade. Até que um dia, há dez mil anos, ele escolheu um pedaço de terra livre, roçou o mato e disse: “Este pedaço de terra é meu!”  Esse fato deu origem à propriedade. Convidou outros seus semelhantes para o ajudarem a plantar, colher e mesmo domesticar os animais. Em pagamento, ofereceu-lhes uma parte da colheita. Como ele, outros também assim procederam: seguiram viagem, escolheram um pedaço livre de terra e disseram: “Este pedaço de terra é meu!”. E, então, em torno deles formaram-se as comunidades, cujos habitantes precisavam se organizar para tomar decisões sobre as tarefas do cultivo da terra, para cohabitarem o mesmo espaço, para cuidarem dos animais, etc…

Note-se então que as ferramentas do ancestral humano foram aprimoradas por suas inteligências, e hoje elas se manifestam como o bisturi na mão do médico cirurgião; o martelo na mão do carpinteiro;  a bola do esportista; o computador do profissional da informática; a tesoura do cabeleireiro bem como o pincel do pintor; o giz  na mão do professor,  entre outros.

Qual é então o objetivo de cada profissão? Semelhantemente ao do ancestral humano: garantir a sua sobrevivência na terra, ou seja, com o dinheiro ganho como pagamento pelo seu trabalho, poder comprar a sua casa – para não padecer no relento; sua roupa – para não morrer de frio;  sua alimentação – para não morrer de fome.

A escolha do caminho profissional é avaliado diariamente ao acordar. Uma profissão bem escolhida deverá ser atividade prazerosa, semelhante ao sabor da comida preferida. Talvez esteja aí a explicação do porquê  muitos profissionais esperarem ansiosamente pela aposentadoria. É que a profissão, para essas pessoas, pode ter sido como alimentar-se da comida detestável. Trabalhar foi, e ainda provavelmente é, um castigo.
Então, qual o segredo para os jovens definirem sua profissão? Gostar do que faz é o caminho mais indicado!  É difícil ser feliz sem tempo para fazer o que se gosta. Vida é estabelecer metas, projetos e agir para realizá-los. Isto deve ir de encontro às tendências pessoais da personalidade de cada um. O mercado se abre para quem exerce sua profissão como “hobby”. A vida tem mais sentido. Profissional feliz espalha felicidade por onde passar. É deste tipo de profissional que o mundo precisa. Como melhor conhecer e aprofundar-se continuamente no caminho escolhido, se essa atividade não for prazerosa?  Para as atividades desenvolvidas com satisfação, o cérebro responde favoravelmente.

Quando em vida, foi perguntado a Jayme Machado Cardoso, professor de Matemática da Universidade Federal do Paraná – professor de muitos professores, inclusive meu – se ele se considerava feliz pelo caminho do magistério que escolheu, quando jovem, a resposta do professor foi incisiva: “Sou feliz porque as pessoas sempre buscam um hobby para completar sua vida, e eu, não preciso: meu hobby é a minha profissão!”

– Ivo CARRARO é psicólogo e professor